A lenda diz que existe uma criatura que aparece todas as noites em que há chuva forte. Conta-se que ninguém nunca consegue enxergar direito essa besta, mas todos que vêem o vulto dela, se apavoram e correm com medo. Certa noite chuvosa, eu, eleito pelo povo o indivíduo mais corajoso da cidade, estava sentado no meu sofá lendo um livro quando notei estranhos barulhos vindo de fora. Sem pensar duas vezes fui checar o que era. Saí sem proteção alguma para a chuva, procurando saber de onde vinha tal barulho que estava me causando aqueles calafrios. Ao aproximar-me da floresta, notei que havia o vulto da tão famosa criatura na minha frente. Naquele momento eu comecei a sentir o que realmente era medo, meu coração batendo muito rápido e eu suando frio apenas a observar aquilo chegar perto de mim. Como eu tinha aprendido a não sentir tanto medo depois do que eu vi acontecer a meus amigos que viram a criatura, tentei então atacá-la. Porém, para a minha maior surpresa, no meu primeiro ataque, a besta sumiu da minha frente e reapareceu a alguns metros floresta adentro. Já com mais coragem, resolvi então persegui-la e a medida que eu chegava mais perto, mais ela se afastava. Depois de correr bastante, ela parou e eu fiquei esperando ela fazer alguma coisa, mas nada ela fazia, apenas ficava ali parada. Já que nenhum dos dois se movia, resolvi chegar mais perto, porém, no momento em que fiquei de frente pra ela, percebi que estava a beira de um penhasco, e quando olhei pra frente, a besta havia desaparecido. Voltei para minha vila, e avisei a todos que a criatura não existia realmente, que era só uma ilusão e que era para tomarem cuidado que ela iria atraí-los para a morte.
Artur Magalhães
quarta-feira, 23 de abril de 2008
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Microcontos
Fim do fiar

Conta-se que, há muito tempo atrás, havia uma donzela filha de fidalgos portugueses loira, esbelta e estonteante que gastava seus minutos costurando, tricotando e o que mais precisasse ou quisesse.
Na véspera de seu aniversário de 16 anos, o pai voltou de viagem e trouxe-lhe um presente. Era uma roca de fiar.
A donzela não se conteve de alegria e foi logo fiar, mas como era ainda distraída e afobada, acabou furando o dedo esquerdo. Ela então chupou o sangue do seu dedo; mas o sangue era tão doce, mas tão doce, que ela adormeceu.
Porém ela não acordou no dia seguinte, nem no outro, nem no outro. Estava ainda viva, mas não acordava.
Seu pai, revoltado, moveu céus e terras contra o homem que lhe vendera a roca, e como era rico e influente, conseguiu criar um selo que diria a partir de que idade cada produto poderia ser usado. E assim surgiu o selo do Inmetro.
-Luana Lacerda
Chapeuzinho vermelho?

Lá estava a doce garotinha com o seu capuz vermelho andando pelas ruas. Capuz dado por pela sua avó como presente. Todos os chamavam de “chapeuzinho vermelho”
Certo dia, sua mãe a chamou e pediu para que ela fosse até a casa de sua avó deixar uma cesta de guloseimas que ela havia preparado. Então chapeuzinho foi atrás de um ônibus, mas como não veio nenhum, ela decidiu ir a pé pela floresta mais próxima. Desde então a mãe de chapeuzinho foi considerada louca por deixar uma garotinha de dez anos ir a pé até a casa da avó.
Chapeuzinho resolveu ir cortando caminho pela floresta, porém no meio do caminho, apareceu um enorme lobo e perguntou: - Para onde está indo garotinha?
Chapeuzinho respondeu: - para a casa da minha vovozinha.
O grande lobo então virou as costas e foi embora, chapeuzinho estranhando a atitude, ficou se perguntando: “lobo fala???”
Ao chegar na casa de sua avó, encontrou uma pessoa barbada, com peruca grande e branca e óculos de grau. Aquilo deveria ser sua avó. Chapeuzinho notou também uma roupa de lobo no chão, então ligou para o 911 e a polícia se dirigiu ao local. Depois de tentar enrolar a figura, dizendo que sua suposta avó precisava ir a um salão de beleza, a polícia chegou e disse: “Pede pra sair!”
O assaltante foi preso, a avó foi encontrada numa favela mais tarde, o assaltante foi obrigado a pagar impostos e como agora todos estavam com medo da mãe de chapeuzinho, a trancaram, e a mantiveram sob controle. E assim surgiu o primeiro hospício.
Artur Magalhães
Mal-entedido
- João, você soube o que aconteceu?!- Que foi?
- Pegaram o Tenácio.
- Pegaram o Tenácio.
- Como assim, Zé?
- Roubaram o mercadinho essa madrugada.
- Do Seu Cosme?
- Do Seu Cosme?
- É. Quando a polícia chegou viu o Tenásio cheio de sacolas.
- E de onde eram as sacolas?
- Da feira que ele foi de madrugada.
- E depois?
- Assim que viram o pobre começaram a atirar.
- E pegou nele?
- Cinco tiros. Dois no peito e três na cabeça.
-E isso foi hoje?
- Cedinho.
- Coitada da Dona Iracema. Tinha tanto amor pelo filho.
- E sabe quem roubou o mercadinho?
- Quem?
- Inácio.
- Irmão do Tenácio?
- Isso.
- Melyssi Peres
quarta-feira, 26 de março de 2008
Cincotiros

Era uma manhã de domingo. O clima quente como sempre. Enquanto as mulheres preparavam os almoços, os homens batiam papo na calçada e as crianças brincavam por aí.
De repente, a piada de uns rapazes e a fofoca das comadres foram cortadas pelo barulho de cinco tiros. Mas ninguém se assustou. Havia muitos assaltos naquele bairro miserável e geralmente os tiros eram para cima, só para assustar a pobre criatura que se recusasse a entregar seus pertences.
Um cachorro latiu ao longe. Comum. Havia muitos vira-latas por aquelas bandas, e mais uma vez ninguém pareceu se importar. Mas ele continuou latindo, um latido desesperado e incessante, que começou a inquietar aquelas pessoas que só queriam um pouco de descanso e paz depois da árdua e longa semana.
Um dos homens foi ver o que tinha acontecido. Minutos depois, quando voltou, trazia consigo uma triste notícia e um corpo nos braços. Mandaram chamar a mulher da casa verde. Esta, chorando copiosamente, ouvia a história. Seu filho, um pobre mulatinho, brincava de pega-pega com as outras crianças quando foi morto por um policial, que pensava se tratar de um assalto.
Os homens recolheram as cadeiras, num gesto de solidariedade. As mulheres pararam de cozinhar. Ninguém ligava mais para o almoço. A fome, agora, era de justiça.
-Luana Lacerda
Microconto
quarta-feira, 5 de março de 2008
ERRO

Ele levantou-se calmamente de sua cama e procurou saber o que estava causando tanto transtorno. Ele foi para a sala de estar, aonde encontrou tudo no chão, quadros, vasos, controle remoto da televisão e etc.
Ao olhar para as janelas, notou que estavam todas despedaçadas, vários cacos de vidro no chão se encontravam. Então, o chão começou a tremer e ele procurou se segurar em algum lugar para que não caísse, era um terremoto.
Sem saber mais o que fazer, ele procurou ir para debaixo de algum móvel, para o acaso de que o teto desabasse. Porém, no mesmo momento, o tremor parou. Ele olhou pela janela para ver se achava alguém, e para a sua surpresa, não havia ninguém. Era como se a cidade houvesse sido evacuada, e ele não conseguia lembrar de nada.
Por fim, tudo se acalmou. Já passava das sete da manhã quando os tremores pararam e a cidade começou a povoar-se de novo, porém, continuou sendo um mistério para o pobre homem que sofreu enquanto dormia por causa do terremoto.
Ao olhar para as janelas, notou que estavam todas despedaçadas, vários cacos de vidro no chão se encontravam. Então, o chão começou a tremer e ele procurou se segurar em algum lugar para que não caísse, era um terremoto.
Sem saber mais o que fazer, ele procurou ir para debaixo de algum móvel, para o acaso de que o teto desabasse. Porém, no mesmo momento, o tremor parou. Ele olhou pela janela para ver se achava alguém, e para a sua surpresa, não havia ninguém. Era como se a cidade houvesse sido evacuada, e ele não conseguia lembrar de nada.
Por fim, tudo se acalmou. Já passava das sete da manhã quando os tremores pararam e a cidade começou a povoar-se de novo, porém, continuou sendo um mistério para o pobre homem que sofreu enquanto dormia por causa do terremoto.
Artur Magalhães
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