quarta-feira, 26 de março de 2008

Cincotiros


Era uma manhã de domingo. O clima quente como sempre. Enquanto as mulheres preparavam os almoços, os homens batiam papo na calçada e as crianças brincavam por aí.
De repente, a piada de uns rapazes e a fofoca das comadres foram cortadas pelo barulho de cinco tiros. Mas ninguém se assustou. Havia muitos assaltos naquele bairro miserável e geralmente os tiros eram para cima, só para assustar a pobre criatura que se recusasse a entregar seus pertences.
Um cachorro latiu ao longe. Comum. Havia muitos vira-latas por aquelas bandas, e mais uma vez ninguém pareceu se importar. Mas ele continuou latindo, um latido desesperado e incessante, que começou a inquietar aquelas pessoas que só queriam um pouco de descanso e paz depois da árdua e longa semana.
Um dos homens foi ver o que tinha acontecido. Minutos depois, quando voltou, trazia consigo uma triste notícia e um corpo nos braços. Mandaram chamar a mulher da casa verde. Esta, chorando copiosamente, ouvia a história. Seu filho, um pobre mulatinho, brincava de pega-pega com as outras crianças quando foi morto por um policial, que pensava se tratar de um assalto.
Os homens recolheram as cadeiras, num gesto de solidariedade. As mulheres pararam de cozinhar. Ninguém ligava mais para o almoço. A fome, agora, era de justiça.

-Luana Lacerda

Microconto

Ação e Reação

Ele me amou e eu o deixei. Ela ficou com ele e eu o amei.


Madrugada de sábado

-Já vai tarde!

-E não volto!

-É bom mesmo!

-Te amo.

-Também.



-Melyssi Peres

quarta-feira, 5 de março de 2008

ERRO


Ele levantou-se calmamente de sua cama e procurou saber o que estava causando tanto transtorno. Ele foi para a sala de estar, aonde encontrou tudo no chão, quadros, vasos, controle remoto da televisão e etc.
Ao olhar para as janelas, notou que estavam todas despedaçadas, vários cacos de vidro no chão se encontravam. Então, o chão começou a tremer e ele procurou se segurar em algum lugar para que não caísse, era um terremoto.
Sem saber mais o que fazer, ele procurou ir para debaixo de algum móvel, para o acaso de que o teto desabasse. Porém, no mesmo momento, o tremor parou. Ele olhou pela janela para ver se achava alguém, e para a sua surpresa, não havia ninguém. Era como se a cidade houvesse sido evacuada, e ele não conseguia lembrar de nada.
Por fim, tudo se acalmou. Já passava das sete da manhã quando os tremores pararam e a cidade começou a povoar-se de novo, porém, continuou sendo um mistério para o pobre homem que sofreu enquanto dormia por causa do terremoto.


Artur Magalhães